quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Big Brother Brasil


Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça- se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.

Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade. Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?

São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados.
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão!!!!


Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir!


Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.


(Luiz Fernando Veríssimo)

domingo, 25 de abril de 2010

O Gênio da Comédia


Charles Spence Chaplin Jr., nascido em Londres no dia 16 de Abril de 1889, ator, diretor, dançarino, músico britânico, mais conhecido como CHARLES CHAPLIN, no Brasil era conhecido como Carlitos, seu personagem de maior sucesso foi o Vagabundo (The Tramp). Um dos atores mais famosos da chamada "Era de Ouro" dos cinemas, além de atuar; produziu, dirigiu, escreveu, financiou e mais tarde compôs a trinha sonora de seus próprios filmes, faleceu no dia 25 de Dezembro de 1977 aos 88 anos em sua residência na Suíça após ter sido banido dos EUA em 1952 quando foi injustamente acusado de comunista.

Recentemente tive o prazer de rever; CHAPLIN de 1992 do diretor Richard Attenborough com Robert Downey Jr. no papel principal, o filme conta a trajetória do talentoso artista. Uma cena em específico não me sai da cabeça, em 1894 a mãe de Chaplin (Hannah Chaplin) que era cantora e atriz, foi vaiada e gravemente ferida por objetos atirados pela platéia no palco do teatro Aldershot após uma péssima apresentação (um problema de laringe acabou com a carreira da cantora), enquanto argumentava e chorava nos bastidores com seu gerente o pequenos Charles (com apenas 5 ANOS DE IDADE) subiu sozinho ao palco e cantou a música; "Jack Jones", muito popular na época. Acredito não ser necessário dizer mais nada.

Naquele momento se inicia a história de um GÊNIO, um humanitário, um garoto no corpo de um homem, um visionário que mudou a história do cinema mudo. Durante a Grande Depressão dos EUA e da ascensão de Hitler é duvidoso que outra pessoa tenha dado tanto prazer, divertimento e alegria do que Charles Chaplin. Em 1972 recebeu um oscar por toda a sua obra, um prêmio mais do que merecido embora tardio, um total de 81 filmes sendo apenas 5 falados e 67 completados antes de seus 30 anos, destaque para os ótimos City Lights (Luzes da Cidade) e The Great Dictator (O Grande Ditador) , ambos com um forte apelo de comédia e sentimentalismo.

Uma curiosidade que poucos sabem, Chaplin foi também um talentoso jogador de xadrez e chegou a enfrentar o campeão estadunidense Samuel Reshevsky, só não me pergunte quem venceu.

Fabrício Carlos

terça-feira, 9 de março de 2010

Uma curiosidade sobre a Leitura


"De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso. A úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma ttaol bçguana que vcoê pdoe anida ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo. Vdaerde!"

(Autor Desconhecido)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Abreviados


Antigamente as pessoas diziam: "Vosmecê concede a honra desta dança?" Com o passar dos anos fomos deixando a formalidade de lado e adotamos o popular você. "Você quer ouvir uns discos lá em casa?” O mundo definitivamente não se acomoda e na onda de tornar tudo mais prático e funcional, as palavras começaram a perder algumas vogais e se transformaram em
abreviaturas esdrúxulas, e você virou vc. “Vc q tc cmg?”

A linguagem não é estática, elas mudam de função, palavrões, gírias, nada se mantém os mesmos, a linguagem acompanha as exigências da época, ganham e perdem significados, qual é o espanto? Espanto, aliás, já é palavra em desuso: ninguém se espanta mais, ficamos no máximo surpreendidos, como eu fiquei no ano de 2005 quando a rede TELECINE abriu um horário às terças-feiras para exibir filmes com legendas abreviadas, tal qual acontece nos chats. Uma estratégia para conquistar a audiência mais jovem, naturalmente, mas e se a moda pegar?

Hoje, são as legendas de um filme. Amanhã, poderá ser lançada uma revista, e depois quem sabe um livro? Todo mundo ganha tempo escrevendo apenas com consoantes - adeus vogais. Às vezes me sinto um ancião, lamentando o quanto a vida está ficando miserável. Não se trata apenas dos miseráveis sem comida, sem teto e sem saúde mas, da nossa miséria opcional. Abreviamos sentimentos, abreviamos conversas, abreviamos convivência, fazemos tudo ligeiro, atropelando nosso amor-próprio, nosso discernimento, vivendo resumidamente. Todos espiam todos, sabem da vida de todos, e não conhecem ninguém. Modernidade ou penúria?

As vogais são apenas cinco. Perdê-las é uma metáfora. Cada dia abandonamos as poucas coisas em nós que são abertas e pronunciáveis.

Fabrício Carlos

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O Cavaleiro e o Monge


"Eles estavam viajando juntos em silêncio até que o cavaleiro diz; Você vive na pobreza, nunca sentindo o toque de uma mulher, negando-se todos os prazeres...tudo porque acredita em Deus. Eu não tenho a sua fé, por isso rôo os ossos da Vida, nunca me negando nada. Já desobedeci todas as leis criadas pelo homem e pela Igreja, e não tenho medo das consequências porque não acredito no seu Deus.

Eu quero perguntar: E se a vida acabar no chão, com o homem sendo apenas comida de minhoca? Você terá perdido a vida inteira se negando por nada. E se vc morrer e descobrir que Deus não existe? O monge pensou um pouco, deu de ombros e respondeu: Acho que foi ficar triste. Mas diga-me um coisa senhor, e se você morrer e ele existir?"

Kevin Smith

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Os Trapalhões


pouco tempo atrás vi uma entrevista com Renato Aragão no Canal Brasil. O mais estranho pra mim foi
a tristeza no rosto do Didi, pode ser impressão minha mas, realmente ele nunca mais foi o mesmo depois
da morte de seus companheiros Zacarias (Mauro Gonçalves) e Mussum (Antônio Carlos).
O programa foi ótimo, cobrindo toda a carreira do comediante, desde seus primeiros trabalhos no rádio, na televisão
e no cinema (Na onda do Iê-Iê-Iê, de 1965). Infelizmente não tive o prazer de assitir os filmes dos trapalhões no
cinema, obviamente que me refiro aos mais antigos.

Apesar do Gugu, Xuxa e Angélica aparecerem na vida do quarteto com as "bombas": O Casamento dos Trapalhões, A Princesa
Xuxa e os Trapalhões e Os Trapalhões na Terra dos Montros devo dizer que o grupo também é responsável por um dos
melhores filmes brasileiros já produzidos: Os Saltimbancos Trapalhões (1981), uma espécie de Hair brasileiro - e
não só porque os dois são musicais. A verdade é que ambos traçam um cruel (e real) painel da situação de seus
países: Hair falava de guerra, drogas, liberdade e sexo, os Saltimbancos Trapalhões retratava nossas desigualdades
sociais, a corrupção dos poderosos, a fome e o drama dos menores abandonados.

Seja como for, muito me entristeceu ao ver a expressão de Renato Aragão na entrevista, ali está um sujeito que
teve uma vida maravilhosa, que trouxe alegria a milhões de crianças (eu entre elas) que sempre fará parte da
história do cinema nacional (além de empenhar-se na luta por melhores condições para as crianças carentes). Independente
do que venha a acontecer no futuro: Didi, Dedé, Mussum e Zacarias sempre terão um lugar no meu coração. E nos de
muitos de vocês, tenho certeza.

Fabrício Carlos

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Alter Ego


"Eu sou um amante de revistas em quadrinhos, especialmente as que são sobre super-heróis, acho fascinate toda a mitologia que cerca os super-heróis, pegue o meu herói favorito: Super-Homem, não é um gibi excepcional, não é bem desenhado mas, a mitologia não é apenas ótima como é única, o mais importante sobre essa mitologia é que de um lado está o super-herói e do outro está o seu alter ego, Batman na verdade é Bruce Wayne, o Homem-Aranha é Peter Parker, ele precisa vestir um uniforme para se tornar o Homem-Aranha e é nessa característica que o Super-Homem é único, o Super-Homem não se transforma em Super-Homem, ele nasceu sendo o Super-Homem, quando ele acorda pela manhã ele é o Super-Homem, o seu alter ego é o Clark Kent, seu uniforme com o "S" vermelho é a manta que ele estava usando quando os Kent o acharam, aquela é a sua roupa.

O que o Kent usa; os óculos, seus trajes de homem de negócios, esse é o disfarce que o Super-Homem usa para se misturar entre nós, Clark Kent é como o Super-Homem nos vê, e quais são as características de Clark? ele é fraco e inseguro, ele é um covarde, Clark Kent é a crítica que o Super-homem faz da raça humana."

Quentin Tarantino